Com 1,71 metro e 109 quilos, a moradora de Andradas (MG), que veste
manequim 50, vai representar a cidade no evento que acontece pela
segunda vez no Brasil. “Eu jamais imaginei que isso pudesse acontecer
comigo, até porque durante boa parte da vida eu não me aceitava. Sempre
fui a gordinha de casa, da escola, a comilona, enfim, sempre achei que
estar acima do peso tivesse uma conotação ruim. Agora aguardo com
ansiedade a oportunidade de desfilar no concurso”, destaca.
Dryelle Fernandes participa, pela 1ª vez, de evento de moda Plus Size (Foto: Arquivo Pessoal / Dryelle Fernandes)
Contudo, a participação pegou até mesmo a candidata de surpresa. “Foi
uma situação engraçada. Eu estava em um casamento, na cidade de Santo
André (SP), quando um fotógrafo me abordou e me perguntou por que eu não
investia nos desfiles e no mercado da moda Plus Size. No começo eu
relutei, mas meus amigos me apoiaram bastante eu resolvi me inscrever”,
lembra.
A jovem, que trabalha em dois empregos e estuda confessa que não tem
muito tempo para dedicar-se à atividade física, mas reconhece que mantém
uma alimentação balanceada. “Qual é a mulher que não vive de dieta?”,
brinca, e conta que tenta caminhar, ao menos, três vezes por semana. “Eu
não tenho tempo, mas sempre que posso, saio para caminhar, pois sei que
preciso cuidar da minha própria saúde”, acrescenta.
Ou eu me aceitava, ou viveria para sempre no baixo astral. Hoje eu vivo rindo à toa e sou feliz"
Dryelle Fernandes
pedagoga
Porém, nem sempre foi assim. Dryelle lembra que quando era adolescente
viveu uma fase complicada diante das críticas e da falta de um mercado
de roupas que atendam o padrão das mulheres que vestem acima do número
44. “Eu tive uma grande dificuldade para conseguir enxergar a minha
própria beleza, porque as pessoas sempre me fizeram acreditar que tudo
era negativo e isso me traumatizou um pouco, inclusive da parte da minha
família, de onde sempre veio muita cobrança”, desabafa.
A jovem relata também que em determinada época da vida perdeu cerca de
30 quilos, por não se cuidar. “Eu não comia direito, quase fiquei
doente, porque foi de uma maneira muito radical, sem acompanhamento”,
pontua.
Por outro lado, hoje ela diz que superou a má fase. Sente-se,
inclusive, bastante feliz com a condição que tem. “Ou eu me aceitava, ou
viveria para sempre no baixo astral. Hoje eu vivo rindo à toa e sou
feliz”, ressalta.
Miss Plus Size Mulheres Reais
O concurso Miss Plus Size Mulheres Reais que teve a primeira edição em
2011 prioriza a beleza ‘GG’ das brasileiras. Para participar, as
mulheres devem ter entre 18 e 35 anos. As candidatas exibem trajes de
passeio, de gala e de moda praia. Além disso, as candidatas recebem
aulas de passarela, moda, etiqueta e expressividade.
Para Drielly, esta é a oportunidade de, além de elevar a auto-estima
das mulheres que são gordinhas, serve também para incentivar o mercado,
que está cada vez mais aquecido.
“Nós gordinhas somos mulheres reais. Um concurso como este mostra que
não existe apenas a mulher magrinha e alta. Revela que a beleza está
também em outro padrão. Independente do peso de cada um ou da condição
de vida, temos que ser valorizadas”, finaliza.
A primeira etapa do concurso, com desfile, acontece no dia 6 de outubro em São Paulo (SP).
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