Com manequim dez números maior que o que se vê na passarela, a
manicure Bruna Bassoli, 25 anos, virou modelo. Vestindo 48, hoje ela é
um dos rostos mais requisitados na região para campanhas de confecções
especializadas em plus size, o popular GG. Começou aos 19 anos. "Agora,
o volume de trabalho é bem maior que antes."
Em
uma agência de recrutamento de modelos em Maringá, o número de GGs no
casting quadruplicou em 5 anos. Junto com isso, mais clientes à procura
das plus size apareceram. "Abrimos em 2007 com duas modelos que nem
trabalhavam com frequência", diz Alessandro Caetano, sócio-proprietário
da Meney Agency, na Zona 5. Hoje, a agência assessora oito modelos GGs e
ainda faltam meninas para tantos trabalhos.
O resultado dessa
desproporção é o valor do cachê. As gordinhas faturam 20% mais que as
modelos 38. Elas são recrutadas para catálogos, show rooms, prova de
roupas em fábricas e desfiles.
Corpo
Ser gordinha não basta para ser modelo plus size. Tem que ter 1,70
metro de altura e usar manequim entre 46 e 52 – para as modelos magras,
o manequim é 36 ou 38. E não é porque é plus size que a pizza está
liberada todo dia. "O corpo tem que estar em dia e a pele firme e
hidratada", diz Caetano. "Não pode comer de tudo."
Com um olho
na balança e outro na geladeira, o peso é controlado. Se faz dieta ou
aumenta um número no manequim, a modelo pode perder trabalhos.
A
modelo Adriana Gonçalves, 30, conta que parou de lutar contra a balança
e assumiu os 105 quilos. Fez tratamentos estéticos e usou remédios
para emagrecer. "Agora eu me aceito numa boa. Antigamente, o gordo era
muito complexado."
Adriana, hoje com manequim 50, iniciou na
profissão há 8 anos. Como sempre foi gordinha, nunca pensou em ser
modelo. "Estava no shopping e me convidaram para um teste. Passei e fiz
uma campanha para uma loja plus size de Maringá."
Lojas
Ela concilia a profissão de modelo com a de gerente de loja de tamanhos
grandes em um shopping atacadista. No País em que 48% das mulheres e
50% dos homens estão acima do peso, Adriana diz que a abertura de lojas
plus size acabou com o sofrimento das gordinhas. "Eu cansei de entrar
em loja comum e a vendedora dizer: "Olha, aqui não tem nada que sirva
pra você".
Nas últimas coleções, grifes, como Levi’s, Marc
Jacobs, Alexander McQueen, Chanel e Fendi, voltaram as atenções para as
mulheres da vida real. Ano passado, a imagem da cantora britânica
Adele circulou por revistas de moda e em um infeliz comentário, o
estilista da Chanel, Karl Lagerfeld, disse que ela estava "um pouco
gorda demais". Foi o suficiente para uma enxurrada de críticas, o que
culminou em uma retratação.
AGENDA
O 1º concurso Miss Plus Size
Cidade Canção será realizado no
dia 9 de junho, no Teatro Luzamor.
As candidatas precisam morar em
Maringá ou região; ter ao menos
1,67 metro de altura; ter entre
18 e 30 anos; não ser casada e
nunca ter sido; não ter filhos e nem
estar grávida; e ter manequim
entre 44 e 52. As inscrições podem
ser feitas na Agência Eclat (Avenida
Juscelino Kubitschek, 581, sala 3).
"O crescimento do mercado plus size de moda e beleza se tornou mais
evidente nos últimos anos, o que mostra que há consumidoras com outras
necessidades", afirma a estilista Ione Rocha. "Os editoriais com essas
modelos valorizam o segmento porque não são só as mulheres magras que
são bonitas", comenta a diretora da agência de modelos Eclat, Carolina
Marques.
Para Bruna, a existência das lojas plus size é uma
espécie de libertação das gordinhas. "É muito difícil vestir 38 hoje em
dia. Com essas lojas, as mulheres sabem que vão provar uma roupa e não
vai ser aquele puxa e estica que não serve."